Image: – Elisa Lispector

As irmãs Tânia, Clarice e Elisa
As irmãs Tânia, Clarice e Elisa

Nádia Gotlib comanda viagem ao universo da família Lispector

  • Biógrafa de Clarice lança no Midrash livro de Elisa Lispector
  • Na plateia, descendentes das escritoras participam com relatos testemunhais

Ontem, dia 23 de agosto, o Midrash Centro Cultural recebeu Nádia Battela Gotlib, livre-docente, autora de duas biografias de Clarice Lispector. Professora de literatura e coordenadora do programa de pós-graduação em Letras da USP, com 10 livros publicados, Nádia falou sobre seu mais recente lançamento: “Retratos Antigos”, livro de Elisa Lispector, organizado por ela. Na plateia, parentes de Clarice e Elisa aproveitaram para dar seus testemunhos sobre a história dos Lispector (o pai, Pinkhas, a mãe, Mania, e as três irmãs, Elisa, Tânia e Clarice).

Estavam presentes vários descendentes do lado materno: a sobrinha Márcia Algranti (filha de Tânia e atual herdeira) e seu marido Sigfrido Borenstein, e os primos Bóris Asrilhant e Pedro e Cecília Wainstock (estes dois últimos, irmãos). O evento reuniu também admiradores e profundos conhecedores da obra e vida de Clarice Lispector, como o diplomata e escritor Geraldo Holanda Cavalcanti, membro da Academia Brasileira de Letras; a tradutora Isa Maria Lando; além de professores e pesquisadores de literatura.

Entre revelações e histórias, uma chamou mais a atenção do público: a falta de provas sobre o suposto estupro da mãe de Clarice por um soldado russo num dos inúmeros pogroms pós-revolução bolchevique, através do qual ela haveria contraído sífilis. Nádia, apoiada por especialistas, afirmou não haver provas sobre o fato, tampouco sobre a doença da mãe, o que contradiz a biografia de Benjamin Moser, jovem escritor norte-americano.

Outra revelação foi a qualidade e relevância da obra de Elisa Lispector, que possui 11 livros publicados e, com generosidade e grandeza, sempre se manteve à sombra do furacão Clarice. Nádia explicou que pesquisar a obra de Elisa é fundamental para entender a vida dos Lispector: “Como irmã mais velha, ela foi a única que viveu a transição da família da Ucrânia para o Brasil. A única pista sobre a história da família vem do romance quase autobiográfico escrito por Elisa (No Exílio). Com um olhar de socióloga e antropóloga, Elisa era especialmente sensível às questões dos hábitos e costumes. Graças a ela, temos acesso a essa fatia da vida dos Lispector”.

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