Jornal Funcionários Mongeral

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Jorge Mautner

Jorge Mautner

O Mundo Segundo Jorge Mautner

  • Músico e poeta inicia curso de história no Midrash 

Ontem, 7 de março, foi o primeiro dia de aula de Jorge Mautner, no Midrash Centro Cultural. Na plateia lotada, alunos mais que especiais acompanhavam atentos as explicações do poeta, músico e filósofo: a filha Amora Mautner, Betty Faria, Guilhermina Guinle, Marcos Prado, Nathalia Dill, Paula Burlamaqui, Ronaldo Cezar Coelho, entre outros. Mautner montou esse curso exclusivamente para Amora, quando ela ainda era adolescente, e as aulas eram um sucesso, atraindo os amigos, como Preta Gil. É a primeira vez que ele monta esse curso para uma plateia desconhecida.

Na primeira aula, Mautner falou sobre a pré-história até o surgimento da cidade de Uhr. Entre as explicações, frases que eram verdadeiras poesias: “A vida nasce da poeira das estrelas”. “A vida é tão insistente que ela renasce”. “Até hoje ouvimos o som do big bang, repercutindo no universo. ‘Life is nothing than sound and fury’ (a vida não é nada mais que som e fúria), Shakespeare”. “As pessoas que amamos vivem para sempre dentro dos nossos neurônios”.

Sobre a evolução do homem, Mautner explicou que foi a partir da era glacial que o nosso cérebro se desenvolveu. Ele falou também do primeiro hominídeo brasileiro, encontrado na Serra da Capivara. Astecas, Toltecas, Olmecas e a criação da Cidade do México também fizeram parte da lição. “Na cidade de Uhr nasce a roda, a escrita e o governo. Ela marca o fim da pré-história e o início da nossa civilização”, contou. No final, Mautner ainda deu uma canja e cantou.

Ao todo, serão oito aulas, sempre às quintas. O programa inclui as grandes civilizações do Egito, Babilônia, Grécia, Roma, Jesus de Nazaré e a evolução do Cristianismo.

Crédito foto: Felipe Paiva.

Alberto da Costa e Silva

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CICLO LIBERTAÇÃO NO MIDRASH

  • Alberto da Costa e Silva abre com chave de ouro programa de palestras sobre trabalho escravo
  • Eventos acontecem nos dias 5, 13 e 28 de março e 2 de abril

O Midrash Centro Cultural abre um debate sobre o trabalho escravo ao longo dos séculos até os dias de hoje. O ciclo de palestras “Libertação” reúne dois grandes historiadores, um agente da Pastoral da Terra e um filósofo e jornalista. O primeiro encontro será com o historiador Alberto da Costa e Silva, um dos mais respeitados intelectuais brasileiros, em 5 de março. A segunda palestra, no dia 13 de março, é com Padre Ricardo Rezende Figueira, que atuou na Diocese de Conceição do Araguaia, Pará, coordenando uma luta contra o trabalho escravo. Em seguida, é a vez da historiadora Keyla Grinberg, em 28 de março. No dia 2 de abril, Luiz Felipe Pondé, filósofo e colunista do jornal Folha de S. Paulo, comanda a palestra “Escravos do tempo, do corpo e da informação”. Os eventos começam às 20h30, ao custo de R$ 30 cada.

No dia 5 de março, o historiador, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras Alberto da Costa e Silva abre com chave de ouro o ciclo de palestras. Especialista na história e na cultura da África, ele falará sobre a prática da escravidão no continente africano, antes e depois da chegada dos portugueses. A proposta é entender as origens do trabalho escravo e como ela foi incorporada pelos colonizadores.

No dia 13 de março, quem comanda o debate é o antropólogo Ricardo Rezende Figueira. À frente da coordenadoria regional da Comissão Pastoral da Terra Araguaia-Tocantins por 20 anos e membro da diretoria nacional da entidade entre 1987 e 1988, Padre Ricardo compartilha suas experiências na luta contra o trabalho escravo no Brasil rural. Ameaçado de morte, muitos de seus amigos foram e têm sido brutalmente torturados, assassinados e presos na impunidade fundiária do interior brasileiro.

No dia 28 de março, a palestra é sobre Escravidão nas Américas, com a Dra. em História e professora da UNIRIO Keila Grynberg. Com vasta pesquisa sobre a escravidão no Brasil e no mundo atlântico, Keila falará sobre como a prática da escravidão moldou as sociedades americanas. Keila abordará as características, consequências e legados da escravatura nas Américas.

No dia 2 de abril, o encontro será com o filósofo Luiz Felipe Pondé. Na palestra “Escravos do tempo, do corpo e da informação”, o colunista da revista Ilustrada, da Folha de S. Paulo, abordará a questão do comportamento: a nova forma de escravidão do homem contemporâneo. Estimulado a consumir, buscar o prazer, a beleza e a lidar com o tempo de uma forma única na história, o homem está preso a um estilo de vida que o transforma em um ser ansioso, frustrado, angustiado e depressivo. Um olhar sob a liberdade no século XXI.

Direitos Humanos

Direitos Humanos

Um dos maiores militantes dos direitos humanos no país fala sobre trabalho escravo

O Midrash Centro Cultural recebeu uma das maiores lideranças contra o trabalho escravo no Brasil: o antropólogo Ricardo Rezende Figueira. Agente da Comissão Pastoral da Terra Araguaia-Tocantins (Pará) por 20 anos e membro da diretoria nacional da entidade, entre 1987 e 1988, Padre Ricardo iniciou o encontro contando sua indignação ao chegar ao Araguaia, em 1976, e se deparar com condições de trabalho desumanas. Iniciando um trabalho de denúncia, ele passou a ser ameaçado de morte. Os esforços da Pastoral, entretanto, renderam diversas matérias em jornais, forçando alterações na legislação, uma luta que prossegue até hoje e cujos resultados avançam muito lentamente. O encontro aconteceu no dia 13 de março.

“Existe um cadastro do trabalho forçado ou análogo ao escravo no país. É importante que as pessoas o consultem para fazer suas escolhas de consumo mais conscientes”, disse Rezende. Ele falou também sobre a PEC 438 (Proposta de Emenda Constitucional), que determina o confisco de propriedades em que for flagrada escravidão. “A pressão popular é fundamental para que ela seja aprovada”, reforçou.

A importância do trabalho das entidades de direitos humanos, como a Repórter Brasil, também foi lembrada: “É importante que as pessoas conheçam essa luta para identificar os abusos que ocorrem perto de nós, no nosso edifício, na nossa cidade”.

Zuenir Ventura

Escritor compartilha lembranças de sua convivência com Herzog

O auditório principal foi pequeno para o público que lotou o Midrash Centro Cultural na homenagem que o jornalista e escritor Zuenir Ventura fez ao amigo Vladimir Herzog. Morto pela ditadura militar, Herzog, que faria 75 anos no dia 27 de junho, foi o tema de uma palestra emocionada do antigo colega de profissão. Além da sala principal, que contava com 80 pessoas, o público espalhou-se pelo segundo andar e a recepção, que reproduziam a palestra em telão.

Zuenir começou a noite lendo a declaração em que Ivo Herzog, filho do jornalista, pede ao Governo o reconhecimento da morte do pai pela ditadura militar e não como suicídio, conforme consta na certidão de óbito e nos papéis oficiais. Zuenir contou que a morte de Herzog foi uma grande injustiça e um grande equívoco: “Ele era apenas um grande jornalista, preocupado com os rumos do país naquele momento, e nem do partido comunista fazia parte.”

Herzog morreu meses depois de assumir a diretoria de jornalismo da TV Cultura – cargo para o qual Zuenir também havia sido chamado. “Naquele dia, ele foi convocado pela polícia para prestar esclarecimentos às 8h e às 15h já tinha sido assassinado”, relembra. “Mas a morte dele não foi em vão: ele foi um mártir da ditadura. O episódio chocante gerou uma grande comoção e vários movimentos pela abertura se seguiram, como o histórico culto ecumênico, na Praça da Sé, em São Paulo”, explicou Zuenir, relembrando personagens chaves para o esclarecimento do que se passava nos porões da ditadura, como o rabino Henry Sobel e Dom Paulo Evaristo Arns.

Na plateia, Flávio Tavares, ex-torturado político, deu seu depoimento: “Mesmo que Herzog tivesse se suicidado, ainda sim, isso seria um assassinato, porque quem passa por tortura muitas vezes não vê outra saída. A tortura é maior que a vida, é maior que a morte.”

Prestigiou o evento também a ex-concunhada de Vlado, a renomada publicitária Nádia Rebouças (casada com Waldir, irmão de Clarice, esposa de Herzog), que ajudou Zuenir a relembrar alguns fatos. “Não estou conseguindo conter a emoção. Estamos vivendo uma série de problemas no país, mas sem dúvida chegar hoje aqui foi um avanço. Foi uma conquista da sociedade”, revelou um simpático e afável Zuenir, que foi muito aplaudido. No final, ele recebeu o público para autografar seu novo livro, “Sagrada Família”, a ser lançado na Flip, em Paraty.

Moacyr Scliar

Cícero Sandroni, Judith Scliar, Afonso Romano de Sant'Anna, Laura Sandroni e João Ubaldo Ribeiro

Cícero Sandroni, Judith Scliar, Afonso Romano de Sant’Anna, Laura Sandroni, João Ubaldo Ribeiro e Antônio Torres

Escritores reúnem-se no Midrash

João Ubaldo Ribeiro, Affonso Romano de Sant’Anna, Antônio Torres, Marina Colasanti, Judith Scliar, Cícero e Laura Sandroni em homenagem a Moacyr Scliar 

Um time de literatos do mais alto nível prestigiou a homenagem a Moacyr Scliar, no Midrash Centro Cultural. O debate com a viúva Judith Scliar, que vive em Porto Alegre, reuniu antigos companheiros do escritor gaúcho, falecido no ano passado: João Ubaldo Ribeiro, Affonso Romano de Sant’Anna e Antônio Torres. Na plateia, o imortal Cícero Sandroni, da Academia Brasileira de Letras, Laura Sandroni e Marina Colasanti assistiam ao evento. O encontro aconteceu no dia 3 de dezembro, celebrando o lançamento do novo livro de Moacyr Scliar, “A Poesia das Coisas Simples”, da Companhia das Letras. A edição reúne cerca de 80 crônicas, publicadas entre 1977 e 2010, quando Moacyr era colunista do jornal Zero Hora, selecionadas por Regina Zilberman. A homenagem no Midrash começou com uma leitura dramatizada do livro. Participaram os atores José Mauro Brant, Dig Dutra e Alexandre Beck, com direção de Marcus Alvisi e curadoria de Joice Niskier. A casa lotou!